Vida

Autoeu

Hoje passei óleo de coco no cabelo e fiz uma daquelas máscaras hidratantes. Na falta de tempo, fiz esses dois “autocuidados” enquanto passava pano na casa e comecei a pensar sobre um negócio que li esses dias, não lembro onde, sobre a confusão entre autocuidado, indulgência e como isso poderia levar a auto sabotagem.

São muitos “autos”, todos eles carregados de uma culpa nova para a gente alimentar.

Eu prefiro viver em uma casa limpa do que com o cabelo brilhante e sem frizz. Essa é uma escolha em que coloco uma necessidade secundária (o cabelo) como o que ela é: algo que eu posso fazer depois. Já a casa, se deixar, fica nojenta, são duas pessoas morando aqui e, a despeito dos esforços de ambos na limpeza, eventualmente o pano terá que ser passado, o fogão desengordurado e o vaso sanitário desinfetado. A escolha de não ter uma faxineira diarista veio porque somos apenas dois em um apartamento pequeno e o dinheiro justo para pagar uma faxina semanal ou quinzenal acaba fazendo falta no fim do mês. Então, aprendemos a limpar nossa própria sujeira, organizar as coisas (na medida do possível) e fazer isso no tempo que a gente tem entre trabalho, academia e o mínimo de vida social.

Sendo assim, a prioridade não é fazer um spa em casa e, sim, cuidar do meu cabelo, pele, unhas, etc quando dá. E quando dá é quando eu vou fazer a faxina, lavar uma louça ou quando eu sento para ver um programa na TV. O meu autocuidado é lembrar de comer e beber água, não viver na sujeira, porque isso me remete aos pontos mais altos da depressão que enfrentei em 2014 e (tentar) dormir 8h todos os dias. O resto, todo, pode ficar para quando der, quando tiver tempo ou encaixado nessa “rotina”. Infelizmente, não consigo parar o sábado ou o domingo para fazer um spa em casa, nesse tempo com pepino no olho, creme no cabelo e automassagem (mais um auto) nos pés, eu prefiro passar tempo de qualidade com meu namorado, já que nos vemos pouco ao longo da semana, e fazer algo mais útil para a nossa vida, como passar uma roupa ou fazer um pastel.

Eu percebi, aos poucos, que coisas boas dão trabalho e demandam da gente. Eventualmente, dinheiro, mas principalmente o nosso esforço mental e emocional para que elas aconteçam. Um casamento, uma relação de amizade ou de trabalho podem ser muito boas com algum esforço. Uma viagem, uma roupa nova, fazer as unhas e fazer um check-up também. Até comer coisas gostosas demandam um determinado esforço – de locomoção, grana ou de tempo para fazer mesmo. Eu prefiro usar meu tempo cuidando das minhas relações, da minha casa e do meu espaço de trabalho do que passando creme no cabelo. Eu elenquei minhas prioridades e, hoje, elas mudaram. Ainda bem.

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Autoeu

Um docinho de pessoa, até que se prove o contrário.

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